OFERTA ACEITÁVEL AO SENHOR

 


Deus havia dado apenas uma restrição a Adão, “... que da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás”, logo após a ordem, Deus o assevera das consequências que o implicará se essa restrição for violada, “... no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2:17). Sabemos que as leis que regem nossa sociedade quando violada, o indivíduo é punido de acordo com a transgressão cometida, da mesma forma ocorreu com a ordem dada por Deus a Adão, a punição para o mandamento divino infringido é a morte (Rm 6:23).


Logo após o pecado de Adão consequências enormes vieram sobre a humanidade. Entre elas, a queda da natureza humana, o trabalho fatigante, a perda da comunhão com o criador, a morte física e a morte eterna, porém, talvez a pior de todas as consequências foi a herança do pecado, pois isso fez crescer de forma assustadora a natureza carnal no ser humano. Como disse o profeta Isaias no capítulo 59, versículo 2 do seu livro: Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.

 

Amados, uma das características inegáveis da fé esta na esperança proposta e não nas conquistas e realizações pessoais que muitos pensam em conquistar. Observemos o exemplo citado pelo escritor aos Hebreus: “Pela fé Abel ofereceu melhor sacrifício”. Muitos pensam que foi a oferta que diferenciou Caim e Abel diante de Deus, ou seja que a oferta de Abel continha elementos superiores a oferta de Caim.

 

Lembremo-nos que a oferta de Abel não era melhor ou superior que a oferta de Caim! Oferta não torna ninguém aceitável a Deus. Devemos lembrar do que é dito pelo salmista: tudo que há na terra pertence a Deus, tanto os frutos da terra quanto as crias das ovelhas (Sl 50:8-13), ou seja, o diferencial está no ofertante e não na oferta.

 

Abel alcançou um testemunho que agradou a Deus, não pela oferta que ofereceu, e sim por te-lo feito mediante a fé. É com base neste firme fundamento que Abel alcançou testemunho de que era justo, e não através da sua oferta. Deus não aceita as pessoas em função de ofertas ou sacrifícios, e sim, pela sua infinita misericórdia, bastando para isto que o homem confie n’Ele.

 

Caim tentou aproximar-se de Deus confiando que a sua oferta o faria agradável a Deus, e, por isso, Deus não atentou para a sua oferta (Gn 4:5).

 

Abel foi até Deus convicto que seria aceito e recompensado porque Deus é misericordioso. Ele foi aceito e a sua oferta também. Devemos observar que Deus atenta em primeiro lugar para o homem que n’Ele confia, e depois para a sua oferta. 

 

Em nossos dias vemos muitos lideres religiosos concitando os seus liderados a fazerem votos, ofertas, sacrifícios, contribuições, etc. Para isso, apresenta a oferta ou o sacrifício como elemento essencial para alcançar a bênção de Deus.

 

Esses “líderes” argumentam que, quanto maior a oferta, maior é a fé do ofertante, ou seja, eles apresentam o pretexto de que quanto maior a “semeadura”, maior será a “colheita”. Dessa forma “eles” invertem ou transtornam os valores que a Bíblia apresenta.

 

Amados não se enganem, o homem só é aceito por Deus por meio da fé, e, só então a oferta é recebida por Deus, pois como diz o salmista: “Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não 
imputa maldade, e em cujo espírito não há engano” (Sl 32:2). É declarado justo aquele que Deus não imputa maldade, e não aquele que oferece sacrifício.

 

Abel não foi até Deus por causa de uma “bênção”, mas foi pela fé e alcançou um bom testemunho, como diz o autor do livro de Hebreus, “Foi por ela que os antigos alcançaram bom testemunho” (Hb 11:2). Desta forma compreendemos o exposto pelo escritor aos Hebreus: “Pela fé Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim…” (Hb 4:4).

 

Amados a oferta jamais poderia justificar Abel, pois o escritor aos Hebreus já havia demonstrado que o sangue de animais jamais poderia tirar pecado (Hb 10:4).

 

Quando Cristo se apresenta ao Pai, também declara por intermédio do Salmistta: “Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste” (Sl 40:6), de modo que foi obediente até a morte e morte de cruz (Fl 2:8).

 

Ora, Cristo foi obediente porque Deus requer dos homens obediência, e não sacrifício: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Os 6:6); “Porém o profeta

 

Samuel também disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros” (1º Sm 15:22).

 

Pr. Dr. Gervásio Melquiades Gomes